O PAREDÃO INTRANSPONÍVEL E SEUS INOCENTES JOGADORES

A tarde de domingo oferece aos brasileiros a TV Digital Aberta e gratuita. É bem verdade que ela vende o seu tempo, que ela chama para os patrocinadores de audiência. É um modelo de negócios que funciona, afinal, alguém tem que pagar a conta. Um dos itens dessa programação é o futebol ao vivo. Desfruta de ótima audiência, uma paixão com elementos de ódio no tempero nem sempre qualificado com qualidade técnica.

A competição pela sua atenção é cada vez mais pesada, grosseira e desleal. No andamento das partidas, segue o jogo pelas redes sociais e canais de TV por assinatura. A máquina midiática não pode parar, senão a audiência despenca e as moedinhas param de tilintar no bolso dos donos. É aí que surge o THE WALL. Não se preocupe, nenhuma relação com a queda do muro de Berlim ou com a banda Pink Floyd. No caso do produto utilizado no Caldeirão do Huck, está garantido que você não vai ganhar, além de, no máximo, uma merrequinha e um tapinha nas costas.

A dinâmica atrelada ao mesmo é politicamente correta, no quesito convidados para participar. Esse final de semana por exemplo, trouxeram a turma da empresa Colibri, que faz um trabalho louvável de desenvolvimento de uma espécie de mouse para quem sofreu alguma lesão grave, e só tem movimento da cabeça. Os jovens líderes dessa iniciativa vão lá para tentar ganhar algum dinheiro para uma causa justa. Já vi grupos indígenas preservacionistas e outros tantos, que acabam por funcionar como marketing para o Programa do Huck. Nesse caso e por isso, deveriam até ganhar sem jogar, como agentes publicitários. Quanto vocês acham que eles custariam?

Não vem ao caso, voltemos ao assunto.

Basicamente, os jogadores lançam bolas verdes, distribuídas por 7 saídas, que vão pererecando como num pinball, para chegar ao final da descida pelo paredão e se encaixar numa das frestas onde estão escritos valores que vão de 1 real até 60 mil reais. Como se vê, é uma faixa ampla de retorno, dessas que nem se tira o dinheiro pra pagar a viagem para casa de volta. Aqui, o quadro já se torna uma piada com sabor de sadismo. Mas nada está tão ruim que não possa piorar…

Além das bolas verdes, temos as perguntas que validam ou não o resultado das mesmas. Errou a pergunta, diga adeus ao pix. Não tão simples assim, ainda temos as bolas vermelhas, que sem qualquer pergunta, vão lá e tiram aquilo que foi ganho legitimamente. Ou seja, mais uma perversidade, a meu ver nada politicamente correta.

É claro que nessa altura do campeonato, vocês devem estar dizendo assim: “ah, mas é uma questão de sorte”. Respondo, não é sorte, é calculável e o paredão foi montado utilizando a matemática das probabilidades. É nesse ponto que convido a você a dar uma pesquisada em algum aplicativo de Inteligência Artificial que te ajude a calcular essa bagaça e perceber que tudo ali, no fundo atende a uma garantia de retorno de outra natureza e para outros participantes: o patrocinador, que tem seu nome mencionado toda semana, ganha sempre. O Programa, que emociona quem assiste e mantém assim os índices de audiência, também ganha.

Quanto aos inocentes jogadores, pelo menos ganham por quase uma hora, visibilidade em bom horário de televisão, para vender seu peixe. O valor de teto do paredão, não cobre nem 10% das despesas operacionais desse belo espetáculo. Se me fosse dado o direito de sugerir uma pequena mudança, em benefício dos projetos ali apresentados, a cada episódio do The Wall, incluiria no início, pelo menos os 4 últimos participantes como lembrança.

No mais, o paredão é intransponível e tem teto baixo.