A PELADA DE TERCEIRA DA COPA


Quem como eu, cansou de jogar peladas, sabe que uma das coisas que define a diferença de uma legítima pelada do futebol profissional é o placar. No futebol das peladas, temos placares elásticos, papo de 10 a 7, 15 a 8, etc. Quando a coisa tá muito feia pra um dos lados, tipo 9 a 1, os peladeiros entram num acordo para tornar a brincadeira mais competitiva, mais equilibrada. É que as vezes, no par ou ímpar a distribuição dos times gera um tal desequilíbrio que só mandando os de um lado para o outro se corrige um par ou ímpar mal feito. Ou vai um goleiro melhor, ou uns dois craques, que o assunto se resolve.

Em 2018 assisti a disputa do terceiro lugar na cidade de São Petersburgo, após a visita mais importante da viagem ao Museu do Hermitage, de onde trouxe imagens de quadros raríssimos de Matisse, Picasso, Van Gogh e centenas de artistas plásticos da primeira prateleira da Arte Universal. Na sequência, me aguardavam os times da Bélgica, que havia detonado o Brasil, e da Inglaterra de Kane, que não viu a cor da bola, tendo sido neutralizado pelos diabos vermelhos.

Já em 2014, após ter levado de 7 da Alemanha, o Brasil foi disputar o terceiro lugar em Brasília contra a Holanda e levou de três dos laranjinhas. Ali estava evidenciada a desmotivação de inutilidade da disputa pelo que pode ser equiparado a uma espécie de carne de tereira, na metáfora aqui aplicada. O mesmo clima se repetiu em 2026, com uma partida que classifico como grande pelada. Do contrário, como expliar o desleixo como por exemplo Olise tratou seus passes, colocando a França totalmente exposta aos contra-ataques letais ingleses?

A Inglaterra se manteve em pleno domínio da partida, Saka foi o nome da partida desde o primeiro tempo onde na sacola da França já tinha pelo menos 4 gols, uma vez que um do Saka foi anulado. Uma goleada já apontada na direção da favorita ao título, flertando com sorrisinhos que davam a impressão de pouca importância para a despedida de Didier e da hpmenagem ao 14 de julho da Revolução Francesa. Pouco se sabe do vestiário desse time, mas o jogo seguiu e de repente, pela mais completa irresponsabilidade e desimportância da disputa do terceito lugar, a partida rumou para uma ode a insensatez. Se tornou a pelada de terceira mais cara do mundo, com um placar de 6 a 4 que poderia ter chegado a 5 a 5, 10 a 5 ou 15 a 10. Não fazia a menor diferença. Só faltou o Olise tirar a camisa da França e jogar com a camisa da Inglaterra, numa alusão a sua escolha de por quem jogar a Copa. Não aconteceu.