Evite ao máximo apostar em Clássicos. Das 16 partidas da fase 1/16 avos, 3 delas tiveram a vaga para as oitavas de final na disputa por penaltis. Esse sim um processo que representa uma verdadeira “loteria”, no sentido de produzir resultados aleatórios que nem sempre correspondem ao desempenho dos times envolvidos. O caso mais discrepante envolveu o confronto entre a Alemanha e Paraguai, a começar pela distorção provocada pela assimetria de disputas entre primeiros colocados e terceiros, o que considero uma aberração mais grosseira que o calendário gregoriano, com seus meses com 31 ou 30 dias.
Minhas observações, condicionadas ao uso da mesma metodologia aplicada pela turma da Cazé TV, utilizei o sinal verde para indicar qual a seleção com maior chances de seguir para as oitavas. Não utilizei meu próprio método, probabilístico, com o sinal vermelho, amarelo ou verde, adotado por ocasião do campeonato brasilleiro, com parceiros nessa empreitada, que também acompanham resultados de futebol. O caso de grande equilíbrio que gostaria de destacar foi a partida, logo no início, entre Holanda e Marrocos, eivada de toques de dramaticidade pelas perdas de um atleta holandês e o egoísmo e fominhagem do melhor jogador de Marrocos, que quase colocou a vaga para as oitavas de sua seleção à perder. Destaque para o duelo de dois talentos excepcionais, CR7 e Modric, entoaram uma disputa com muitos tempos. Um primeiro domínio lusitano, improdutivo, seguido das mexidas do técnico croata que colocou em campo Matanovic e mudou o rumo da partida. A Croácia, time traiçoeiro que já nos feriu mortalmente fez uma segunda parte excepcional, apresentando um time consistente e extremamente técnico, só parou no goleiro, gajo herói que salvou a pátria.
Há quem diga que a melhor partida da Copa até aqui foi entre a atual campeã do mundo, a Argentina e a turma do Arquipélago do Vozinha, lá de Cabo Verde. Essa afirmação recai mais uma vez na questão da assimetria, somada ao interesse particular da torcida em ver um dos favoritos ao título cair pelo caminho. Até aqui, a França tem suas chances de coroação calculadas em 31%, seguida de pela Argentina com 17%. A neurociência explica com detalhes as razões pelas quais as pessoas gostam de torcer pelo mais fraco. Isso provoca distorções de percepção, que podem interferir no julgamento das chances reais, criando uma fantasia irreal, muitas vezes fatal para quem aposta.
No entanto, sabe-se que esse tipo de estimulo produz um enorme prazer e alegria aos adeptos da torcida pelos mais fracos, tal qual numa passagem bíblica da luta entre Davi e Golias, que citei no inicio da Copa. De minha parte, sigo realizando um trabalho cujo objetivo é promover um certo tipo de descontaminação semiótica, substituindo as promoções que estimulam os instintos mais irracionais e primitivos, por uma forma de análise onde a qualidade das partidas e dos atletas envolvidos, bem como as arbitragens, as condições climáticas e uma série de outros fatores possam ser vistos sem as roupas ideológicas, financeiras ou de grife, que circulam no imagineario coletivo a partir das estruturas midiáticas.
O resultado obtido nessa primeira fase de previsão foi extremamente animador. É claro, fruto do esforço de assistir 100% das partidas entre as 48 seleções na fase de grupos, para aferir a balança de juízo e previsibilidade. Durante essa etapa, foi possível refinar o modelo para o “agora” da Copa, esquecendo um pouco os anos e meses anteriores da história de cada atleta em seus clubes ou mesmo na seleção. Os técnicos de todos os times também estão fazendo ajustes. Lesões e desempenhos abaixo do esperado precisam ser corrigidos rapidamente, antes de se tornarem fatais. Vimos Salah bater o último escanteio mexendo com a mão na coxa, no lugar que tirou Paquetá, vimos o Córdoba sair com a mão na virilha, como aconteceu com Wesley, vimos o melhor de Gana sofrer logo nno início da partida e desestruturar o time. Tudo é dinâmico, o que torna o assunto complexo e inesgotável para aqueles que se arvoram a ter a última palavra, antes mesmo da escalação sair e a partida estar garantida pela passagem pelo funil do provável adversário que pode nunca mais chegar.
De minha parte, acertei portanto os 100% dos 16 jogos, considerando o descarte daqueles que foram parar nas disputas de penalidades. A conclusão é uma só: o trabalho de análise foi recompensado de sobra. Quem viu, viu, agora é tirar férias, com partidas muito mais equilibradas, que acabarão na categoria de “Clássicos”. Certa vez, criei uma regra de proteção ao apostadores: nunca aposte em clássicos…
NUNCA APOSTE EM CLÁSSICOS…
Tivemos um intervalo com prognósticos mais estáveis, bem explicado.
Fase de Grupos – PARA ESTUDAR
Fase 16 avos – PROGNÓSTICOS DE ESTUDOS
OITAVAS – TIRE FÉRIAS E SEJA TORCEDOR


