UM JOGO SEM REGRAS NÃO É JOGO

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A frase acima exige tradução poética:
“É tempo de jogar o jogo do jeitinho que eu sei que o jogo deve ser jogado”
Me lembrei de dezenas de coisas, todas no campo das apostas. Aqui não cabe qualquer clarividência, apenas a emissão de frases de efeito dos “impensantes”. Sim, eles existem, operam no mundo midiático, donos de suas próprias bravatas, que eventualmente se transformam em hinos das turbas acéfalas. Basta repetir as “palavras de ordem”, que muitas vezes se parecem com aquelas fantasias sexuais adolescentes, de velhos babões na véspera de serem levados para algum asilo de luxo. É o que vemos se espalhando pelo mundo, diante da fixação pelo poder eterno, que envelhece e morre. Disso não escaparão.
Independentemente do número de ogivas nucleares que possuam, da quantidade de drones que tornem cidades de civis alvos aceitos pela imprensa internacional, com aquela neutralidade dos calados, aos quais se unem com algum patrocínio e sem ameaças a própria vida ou aos seus familiares.
Play The Game, é uma música da banda Queen, do álbum “The Game”, lançada em 1980. A letra diz muita coisa sobre essa coisa chamada “JOGO”. Senão vejamos, “Open up your mind and let me step inside/ Rest your weary head and let your heart decide/ It’s so easy when you know the rules/ It’s so easy, all you have to do is fall in love/ Play the game”.
Aprendendo a jogar, como parte do processo de inserção de seres humanos ao contexto de sua época, pois até as mudanças dependem disso. Como a grande maioria não tem a menor ideia sociológica e antropológica sobre como as revoluções acontecem, confundem o caso com suas sessões individualizadas de terapia. Atenção, o mundo não é você, é você que está inserido no mundo.
É certo, mesmo com a vinculação feita pelos fanáticos religiosos – que associam a palavra jogo ao pecado – a vida é um jogo. Li Homo Ludens, embasamento filosófico para desmascarar as basófias que circulam por aí, nas correntes sombrias de uma maioria de youtubers e suas vítimas-seguidoras. Livros, continuarei sugerindo o uso deles, pois exercitam no corpo humano a imaginação e o ato de pensar. Uma questão cognitiva mais trabalhosa. Foi o Huizinga a descobrir essa pólvora.
“O ser humano é lúdico por natureza. Aprendemos as coisas brincando, jogando, desde crianças. A obra de Johan Huizinga, datada de 1938, descreve como o lúdico e o jogo fazem parte da natureza humana, assim como o Homo Sapiens, o homem que pensa, que raciocina, e o Homo Faber, o homem que faz”.
Em inglês, o verbo “TO PLAY”, exerce dezenas de funções, vai das mesas de cassino ao quarto mais íntimo onde praticamos sexo. Uma relação consentida deveria ser sempre antecedida pela frase clássica: “DO YOU WANNA PLAY WITH ME?” (quer transar comigo?”. Mas esses roteiros, não seguem tão certinhos assim no mundo real. O estupro e a legião de estupradores existem. E esse é o espaço do “NÃO JOGO”, ou seja, um lugar criado onde não existem regras, apenas a vontade do outro de fazer o que lhe der na telha.
O autoritarismo, as ditaduras, os regimes de força, as violências de todas as formas, são apenas a manifestação desse tipo de estupro no âmbito coletivo. Assistimos passivamente como platéia. Somos testemunhas oculares das piores atrocidades, reveladas por toda a extensão do planeta. Trata-se do resultado de uma insanidade medíocre, fabricada por “impensantes” – que já deveriam estar alojados confortavelmente num quarto de asilo, protegidos pela lei e protegendo as pessoas ao seu redor de suas deficiências.
Está claro, ao menos para mim, que sistemas democráticos não são construídos com base na filosofia do estuprador.
Palavra de jogador.

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