O BRUXO EMBAIXO E O FENÔMENO POR CIMA

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Com a benção de dois dos maiores craques da história recente do futebol mundial, a seleção brasileira entrou em campo. O mundo da bola sabe, tem os números de quanto esses caras juntos renderam aos cofres da indústria do esporte.

Sendo o esporte mais praticado do mundo, agradeçam ao visionário João Havelange, que soube como poucos conduzir os negócios para uma universalização inclusiva, tratando como iguais as nações periféricas.

É claro, como todo bom manager, contou com uma constelação de estrelas cativantes, despojadas da empáfia comum em certos astros de Hollywood, pouco afeitos ao mundo da pobreza, da miséria e da fome. A grande vantagem do futebol é o acesso às camadas menos favorecidas, lugares onde o sonho é proibido.

Hoje o bruxo Ronaldinho Gaúcho encontrou um lugar de atuação perfeito em seu rolê, roteirizado pela Globo. Na entrada da seleção em campo, a quebra de protocolo, a transgressão, bem típica de um marginal, de um informal, quase de um penetra. Cada um dos jogadores da seleção brasileira apertou sua mão. Essa cena deve ser repassada por um especialista em semiótica, em códigos de atitudes comportamentais, de maneira individualizada.

Com uma imagem filmada a 60 a 120 frames por segundo, a emoção interativa que transbordou dali, entre eles e o bruxo daria um livro.

Quem olhou pra quem, quem abraçou e chamou de pai, quem sorriu, quem recebeu as duas mãos do mago da bola, antes de cantar o hino nacional e entrar em campo.

Aquilo ali foi um gol de placa, consagrado pelo abraço no último da fila, o mito questionado, felizmente ainda em campo, chamado Neymar. Craque que brilhou num Flamengo e Santos de placar 5 X 4. O calor daquele abraço tinha algo de redentor, ao mesmo tempo que trazia vibrações infernais.

Nenhum dos dois se identificavam muito com a ideia de santidade, por saberem que essa é falsa, por conhecerem os bastidores desse mundo que outro consagrado chamou de mundo das sombras.
Lá em cima, no Olimpo da Arena de Miami, a cartolagem e seus associados. Ninguém por lá foi preso no Paraguai por causa de um passaporte falsificado ou porte de arma adulterada.

O Presidente da FIFA, ladeado pela fina flor, Cafu, Roberto Carlos, Beckham, Kaká e o Presidente da CBF, além do astro Beckham.

Com um fenômeno na Tribuna e um Bruxo na entrada do túnel, é certo que na linguagem popular, tá tudo dominado, basta ver a taxa de conquistas dessa dupla de semi-deuses do futebol. Certos indicadores costumam indicar um roteiro para a história de um jogo. Cercados por cima e por baixo, as chances da Escócia eram mínimas. A leitura do jogo só confirmou isso.

Da série: CARTELAS DO CARTILHA
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