NOVES FORA, TRÊS QUE VALEM POR DEZ

Esse artigo foi escrito em duas partes, uma antes dos eventos esportivos e a outra durante… Então primeiramente o antes: “Faltam poucas horas para que três grandes acontecimentos esportivos ganhem vida nesse domingo. Eles acontecerão nas quadras de tênis e basquete, além do campo de futebol. Em Paris começa a briga pelo título de Roland Garros, entre novos protagonistas que já se enfrentaram. O placar histórico é amplamente favorável a Alcaraz. O momento é ligeiramente favorável a Sinner. Na semifinal, o espanhol estava perdendo por 2 a 0, quando aconteceu o abandono, por lesão. Do outro lado, Sinner vem voando, sem ter perdido um só set e com moral alta, por ter derrubado uma lenda. Alcaraz é o maioral entre eles em Roland Garros, os Big Datas no entanto dão ligeira vantagem para Sinner. O italiano está cagando para o Big Data, ou sofrendo a pressão de um jogo sempre bem encaixado de seu algoz? Quem se borrará primeiro? Os números das máquinas de cálculo não vão ajudar muito a mergulhar na questão de como os dois mais promissores tenistas da atualidade acordarão, tomarão café da manhã, para as 10 horas de Brasília começarem o derradeiro duelo. É nessa antecipação que lições podem ser aprendidas.
A seguir, uma Espanha defendendo seu lugar, contra um Portugal cheio de vontade, e com um surpreendente CR7, que apesar da crença de muitos amigos sobre sua inutilidade para o time de Camões, foi decisivo e ainda finaliza como poucos. Deixe que os outros corram. Aliás, sobre isso, é preciso aprender mais com o que vem acontecendo com o tênis, pouco a pouco explorando mais as vantagens dos drop shots. Coisa de habilidosos, sempre admirei os jogadores extremamente técnicos que com um totozinho matavam o adversário, congelando as reações automatizadas dos músculos. Recursos de precisão vão ocupando o lugar da mera força bruta, e foi com esse toque de brilhantismo que lembra o Tai Chi, que Coco Gauff ganhou da musculosa russa favorita. A força nunca substituiu a técnica, não subestimem CR7.
Para o final da noite, o prato principal dá vantagem extrema para o OKC. Perdeu a primeira partida com diferença de um ponto, o que estatisticamente é não significativo. Esse favorecimento exagerado tem sua razão de ser: os números do passado recente. A unanimidade da imprensa esportiva se fez, coroando a máxima de Nelson Rodrigues, velho clichê, “toda unanimidade é burra”. Nesse caso, a empáfia acabou virando sinônimo de burrice. A se repetir, em casa, deixa a casa dos burros e vai para no brejo da vaca. E isso é pouquíssimo provável, daí as taxas de retorno serem, pela primeira vez nesses playoffs e final tão atrativas a favor dos Pacers.
Ficam as considerações previamente escritas, para publicação validável após os combates, para constar nos autos.”
Agora, vamos ao “depois”, começando pelo compromisso em Paris com a final de Roland Garros. A primeira parte do confronto teve Alcaraz nas cordas. Como escrevi no “antes”, após a chegada da festa temática “Kabharé”, o melhor momento é de longe, do italiano, que erra muito menos. O problema é que não avisaram a torcida, que é 100% Alcaraz, jovem consolidado como celebridade, enfrentando as sombras de um atleta recentemente suspenso por doping. Na elite esportiva, estar limpo conta, é a imagem do esporte.
Além disso, a torcida quer mais jogo, pô. Pagou ingresso integral e não meia entrada. Sair de Paris sem assistir na final o Sinner levar sequer uma “pancadinha”, seria desmoralizante pra competição, demonstraria o lado óbvio e ausência de competitividade após os medalhões aposentarem as raquetes. Nesse momento, um respiro do espanhol, e a ODD do Sinner deu até uma subida, tornando finalmente viável investir no mais provável.
Acontece que – a dinâmica das casas de aposta é regida pelos centésimos de segundo – a taxa de retorno, que era justamente a viável para nossos testes no laboratório, caiu para um pouco abaixo, 1.3. O 1.48 na mão, hora de pegar Sinner, o passarinho escapou. Repetindo, houve portanto uma rápida “JANELA DE OPORTUNIDADE”, onde a ODD alcançou 1.48. Nessa hora, deixe a ganância de lado, afinal, +40% está num ponto ajustado de recomendação de retorno, pelo menos para pagar um governo ineficiente mas ávido para arrecadar de algum lugar e tapar o buraco de seus fundilhos.
Assim que a oferta evaporou, novas susrpresas, entram em cena os deuses do Olimpo Esportivo dando uma segunda chance nas ODDS, aos que se levantaram para fazer xixi, perdendo a propaganda premonitória do ROLEX, que dizia: “OS CORAJOSOS SERÃO RECOMPENSADOS”. De fato, num jogo desse peso, não dá pra amarelar.
Trata-se do equilíbrio no desequilíbrio, assunto para outro dia. Ambos os lados remuneravam, ainda que de forma mais favorável ao perdedor do primeiro set.
Alcaraz com MAIS DUPLAS FALTAS NO JOGO do que Sinner NO TORNEIO, não chegaria muito longe assim. Me chamou atenção a propaganda do Itaú, com Alcaraz jogando xadrez e tênis. Parecia até nosso artigo sobre o Torneio de Xadrez da Noruega, concebido como um articulador no volume um de nossa PRIMEIRA CARTILHA IMPRESSA (no prelo). Em diversas oportunidades para dar alento a torcida gritando “Carlos, Carlos, Carlos”, o jovem era muito inferior nos saques e tomava decisões muito arriscadas em pontos fáceis. Alcaraz perdeu a oportunidade de fechar pelo menos um set, lhe faltou consistência na hora de lacrar.
O fascinante dessa final de tênis é queo Alcaraz chegou a pagar 10. Ao superar 4 match points e logo a seguir quebrar a vantagem de Sinner, demonstra a fibra de um campeão, uma vez que ali, o assunto ainda não envolvia o cansaço como fator determinante. Dali em diante, o tempo passou a ser seu maior aliado. Como diria o economista John Maynard Keynes, “A LONGO PRAZO TODOS ESTAREMOS MORTOS”. Essa é a máxima para uma final de tênis com mais de 4 horas. A força diminui, quem tem mais potência ganha. Se o Spike Lee faz filmes que cansam pelas duas horas, a platéia quer ver os gladiadores se auto-fagocitarem em oito. O saibro e a areia onde milhares de gladiadores morreram para o espetáculo com 80 mil de platéia em Roma garantem que o sangue, o suor e outros fluidos, serão absorvidos, evitando escorregões e facilitando a limpeza. Roland Garros obriga a uma espécie de maratona coletiva, sem direito a banheiro ou fralda absorvente.
Mistérios do comportamento humano, a parte, foram necessários dois aces e dois drop shots encadeados, para desembainhar o punhal hispânico. Esses dois atos, a meu ver, explicam a virulência expressiva da inteligência no esporte, que assistiria a seguir. Tempo e oxigênio, o corpo endurece, não há o que fazer. Fui conservador quando citei a duração de 4 horas. Já chegamos a 5 horas de jogo e o tanque cheio de Alcaraz demonstra uma ligeira vantagem, a ponto de deixar Sinner fora da foto, do lado de fora da quadra. É tipo batida de penalti, com bola pra um lado e goleiro pro outro.
O que me obriga a deixar para amanhã, um aviso: SETE RAZÕES PARA NUNCA DIZER NUNCA…