Concursos, premiações e previsibilidades. Tornou-se uma tarefa cada vez mais fácil saber quem vai ganhar um prêmio. Pode-se dizer que cada caso é um caso, mas um bom analista tem condições de entender como um jurado vota. A partir daí é trabalho braçal e oferecer a publicação de um prognóstico com altas chances de acerto nos resultados.
O que digo aqui vale para a disputa das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Jameiro, para o Nobel em suas diferentes categorias, para a Bola de Ouro de melhor jogador do Mundo, Festival de Cannes ou daqui a quatro dias para o Oscar.
Em todos esses casos, o negócio é fugir do trading de apostas, pois esse mercado se move com base em critérios de ganhos e perdas das grandes Operadoras de ODD’s. Por ocasião da eleição do Papa, por meio do Conclave, fizemos um painel extenso demonstrando a inutilidade dos números das casas de apostas. De uma centena de candidatos bem posicionados, vimos aparecer uma zebra, contrariando a todas as expectativas, menos a visão de analistas dedicados a estudar com profundidade a dinâmica daquele grupo de pessoas que em pétit comitê efetivamente escolhem e portanto detém o poder de decidir quem é quem.
Ano passado, após a enorme polêmica em torno da suposta injustiça aplicada ao nosso Vinicius Júnior- que por acaso hoje perdeu mais um pênalti numa das partidas do mata-mata das oitavas da Champions League contra o Manchester City – quando não foi escolhido para a Bola de Ouro. Comoção, Ancelotti então técnico do Real determinou que o Real Madri não comparecesse na cerimônia.
A polêmica me levou a revisitar os critérios para o julgamento que seriam adotados a seguir pela FIFA. Sinceramente, surreal. Sem maiores detalhes, por isso é que Pelé, apesar de ter sido eleito O ATLETA DO SÉCULO, nunca havia ganho o prêmio da FIFA. Nunca jogou no circuito europeu de futebol. É surreal, mas a lista de especialistas eleitores só leva a um resultado: ou joga na Europa, ou está fora, chances zero de conquista. O torcedor, coitado, não entende patavinas do processo de votação, acha qualquer coisa, a imprensa inflama o ufanismo sem noção, tudo certo, voltamos ao tempo das cavernas, ignorância completa.
O caso das Escolas de Samba desse ano, para quem estuda dedicadamente esse campo de conhecimento – predição de resultados – deixou uma ferida, aparentemente inexplicável aberta, para a grande maioria. Não foi meu caso. Um júri de pequena escala, exposto a presença de “influencers” de todos os níveis, será afetado diretamente pelo viés das orientações conceituais da “moda do ano”. O que quero dizer com isso? Exemplo, se no ano anterior a Unidos de Padre Miguel foi rebaixada pela demonização da temática “sou macumbeiro”, no ano seguinte, como reparação a esse juízo de valor discriminatório, a reparação com a valorização das agremiações que reafirmaram esse tema de forma explícita. Como resultado, temas como Rita Lee, Ney Matogrosso e Chico Science não serão exatamente vistos como de integrados a história do samba. Nada mais natural que um baluarte vivo, um Coringa desse território, Mestre Ciça, se tornar o candidato natural desse inconsciente coletivo de jurados.
Diferentemente de Heitor dos Prazeres, já morto, com a Vila Isabel de Noel e Capitão Guimarães fazendo o mais artístico carnaval passar na Sapucaí, não havia aí, um lobista vivo, pra segurar os décimos. E isso pra não falar do desfile suntuoso do Salgueiro celebrando Rosa Magalhães, outro assunto.
Sabendo exatamente como o atual sistema do Oscar funciona e com larga experiência no campo político, a equipe brasileira está sabendo aproveitar ao máximo todas as janelas de oportunidade para gabaritar na campanha, uma espécie de “reeleição”, uma vez que pega carona na onda do ano passado. O candidato Wagner Moura, longa estrada na cena internacional, declarou ter dedicado 300 dias do ano para fazer o dever de casa, indo aos festivais onde os jurados estão, lobista dedicado a ser eleito. A parte dele foi feita, os votos foram enviados, lacrados, sem essa de roubo ou eleição fraudada. Todo mundo sabe que houve uma recomposição do corpo de jurados, que mudou as chances nos últimos anos e isso nos favorece.
Os resultados e previsões já existem, estão bem fora do ti-ti-ti da torcida, são objeto de quem se dedica a investigar a vida, inclusive privada, dos jurados e mantém suas planilhas atualizadas, o que lhes garante poucas surpresas e muitos acertos.
Ver os filmes não lhe oferecerá muita chance de ganhar apostas, acessar as publicações especializadas em resultados de eleições baseadas em comunidades, sim.


