A BOLA, O CARRO E A BIKE ELÉTRICOS

Você acredita que bola e gramado interferem na qualidade do resultado das partidas de futebol? E se eu te disser que a bola evolui, o gramado evolui e o atleta se adapta? Faz sentido pra você, altera tua decisão numa aposta? Se não, deveria…

Recentemente tentei demonstrar a diferença brutal entre alguns motores de bicicletas elétricas para a turma que lida com bicicletas quase todos os dias da semana. A principal dificuldade que encontrei foi a distância entre o conhecimento de mecânica e o de eletro-eletrônica, além dos conceitos clássicos da Física. Comecei por distinguir as e-bikes com motor instalado no eixo da roda – normalmente a roda traseira – e as mid-drive e-bikes, com motor instalado no centro do quadro, bem no eixo dos pedais. Em ambos os casos, há sensores que medem o quanto de força auxiliar será enviada pelo motor auxiliando a pedalada. A tecnologia que mede isso é mais antiga nas que usam motor nas rodas, tornando a dinâmica um pouco antinatural. Por sua vez, as que usam mid-drive alcançaram um nível de sensibilidade não mais distinguível de uma pedalada natural. Escrevi sobre isso: “O motor da Bosch para uma eMTB é coisa de MALUCO! Ele oferece ao piloto uma resposta de MIL VEZES POR SEGUNDO, tornando sua pedalada algo totalmente natural. Só mesmo processadores de alta performance na tecnologia dos dois sensores atuando na resposta das engrenagens…”.

Esse é o estado da arte nas e-bikes, os sensores nesse nível podem, com sobras, servir melhor ao ciclista do que no passado recente.

A unidade de medida aqui aplicada é o Hertz, que significa o número de ciclos por segundo. Quem controla esses ciclos de velocidade num processador qualquer é o quartzo, uma pedra existente na natureza, cuja base é a sílica. Tínhamos uma fábrica na Avenida Brasil chamada ABCXTAL, fechada por falta de produtividade capaz de competir com países que importam nossa matéria-prima para vender a mesma industrializada, nos cobrando por isso 100 vezes mais.
A bola de futebol da Copa do Mundo da FIFA 2026, a TRIONDA, também utiliza um sensor de movimento – a sigla em inglês é IMU, de Inertial Measurement Unit – batizado de KINEXON. Essa gracinha pesa 14 gramas e mede aceleração da bola, posição 3-D, rotação e velocidade com ciclos de 500 vezes por segundo, no caso a metade da periodicidade alcançada nos sensores das e-bikes. É bom saber, quanto mais ciclos por segundo, mais caro será o cristal e o sensor. Ambos funcionam sendo recarregáveis em suas baterias. Na bola, eles funcionam por até 6 horas de uso.

E por último, vamos aos carros de Fórmula-E, onde se ensina com esses sensores mais sofisticados a “pensar mais rápido”. Um dos focos do uso dessa tecnologia é o gerenciamento de energia para economia da mesma. Esse assunto também vale para as bicicletas. Temos exemplos de baterias de mesma capacidade e peso, que apenas por terem BMS’s com algoritmos mais sofisticados alcançam autonomias de 120 km em lugar de 60 km. Isso vem demonstrando que o desenvolvimento de software de gestão embutidos nos sensores serão mais importantes para competitividade de mercado do que o hardware, as baterias com suas capacidades de armazenamento e disponibilidade. Há números que apontam para 90% de economia energética, graças ao software de IA que administra o uso, carga e distribuição para os motores. O tempo de resposta também é um elemento determinante.

Temos assistido os carros híbridos da nova F-1 com pilotos reclamando da falta de resposta no acionamento e até mesmo aquela clássica “engasgada”, comum em carros velhos ou usando gasolina de baixa qualidade. Os sensores para carros elétricos precisam ser muito melhores do que os da bola da Copa ou das e-Bikes. Motores, Baterias, Aerodinâmica e Freios nunca vão deixar de ser importantes. Mas o que fará cada vez mais a diferença é a computação embarcada nos carros elétricos, com o uso intensivo de IA. Sem isso, o veículo estará condenado a todos os inconvenientes do passado. A máquina precisa pensar e responder rápido aos seus comandos ao volante, para no futuro dispensá-lo, reservando sua atuação para emergências. A essa tecnnologia dá-se o nome de GEN4 para os laboratórios, no caso as pistas de corrida para Fórmula-E.
O recado é claro, menos motor e menos bateria, com mais inteligência de uso. A otimização que a IA pode fazer não cabe na velocidade necessária a um ser humano normal.

A principal desenvolvedora da solução para dar essa resposta rápida aos carros elétricos de corrida é a ABB e sua caixinha mágica nas cores azul e prata. A transmissão rápida e inteligente necessária DC-to-DC utiliza a tecnologia chamada Brightloop, permitindo alcançar ciclos na impressionante velocidade de resposta da ordem de 300 a 600 Khz.
Isso é o que podemos chamar de Estado da Arte no uso de recursos elétricos renováveis, como é o caso do Brasil.
Agora é hora de passar a bola pra você, aviso dado bolas, carros e bikes. A eficiência energética depende do conhecimento, não basta ser grande ou potente, é indispensável ter sistemas inteligentes.

Misturei esses diferentes esportes para apresentar um fato comum entre eles, a eletrificação e a digitalização dos mesmos. Muda tudo, oportunamente desdobraremos esse aspecto incluindo a telemetria e a previsibilidade como consequência de seu uso.

Da série: CARTELAS DO CARTILHA
APRENDA A JOGAR BEM