O ALGORITMO DE ELO E A PREVISIBILIDADE


A FIFA acaba de divulgar sua lista das pontuações das seleções associadas ao seu sistema de avaliação, alterado lá pelas bandas de 1993. Vamos encurtar o assunto. A partir de 2018, uma mudança mais radical introduziu o ALGORITMO ELO na forma de cálculo, seguindo uma lógica já adotada em torneios de xadrez. Pra quem joga xadrez, tudo eslarecido, pra quem não joga, será necessária uma pequena aula de matemática. Antes dela, acrescentar a novidade para 2026 da atualização EM TEMPO REAL, assim que uma partida qualquer aconntece e as posições são alteradas. No exato momento em que escrevo, a Argentina está em primeiro lugar, seguida pela Espanha, França e Inglaterra. Na figura que utilizo, a FIFA apresenta os cinco últimos resultados, com seus resultados de vitória, empate ou derrota em tempo normal. Isso no permite calcular uma média móvel, trocando sempre o resultado mais antigo por um próximo mais recente. Enxergar essa curva foi o que fiz para prever curvas de ascensão de clubes do Campeonato Brasileiro de 2013 e 2014. Introduzi iesse método, pela facilidade de acompanhamento visual de maneira mais simples para nossa audiência no Programa Mosaico Esportivo.

Já nesse sábado, com a realização das partidas entre Noruega X Inglaterra, seguida de Argentina X Suíça, como já disse, teremos um reposicionamennto de tabela. Acompanhar essa dinâmica é uma vantagem para quem aposta? Até certo ponto, sim. Todavia, acrescento as lesões e os cartões a esse modelo. Começarei pelo ALGORITMO DE ELO, me perdoem, não teremos como escapar da matemática.

Esse método é usado em jogos de “SOMA ZERO”. São jogos onde o que um perde o outro ganha. No xadrez, o ganhador ganha 1 ponto, o perdedor fica com zero, o empate dá meio ponto para cada. No poquer o que o ganhador final leva é exatamente a soma do que todos os outros perderam. Em Teoria dos Jogos, no entanto, aprendemos que é possível criar circunstâncias onde TODOS GANHAM. Não é o caso da Copa do Mundo da FIFA e do seu sistema de premiações.

O ALGORITMO ELO calcula a partir de uma fórmula cuja lógica envolve três partes: o cálculo do resultado esperado, a aplicação do resultado da partida e finalmente a atualização da posição no ranking. Na primeira parte é feito um cálculo de probabilidade de vitória de cada seleção ganhar, baseada na posição no ranking de cada um dos times. A distância entre um e o outro. Uma diferença de 400 pontos entre eles indica que o melhor rankeado tem uma chance 10 vezes maior de ganhar, de acordo com a fórmula de RESULTADO ESPERADO (Expected Result):
Onde a seleção A tem pontuação esperada igual a (Ea) e a seleção B tem respectivamente (Eb) como resultado esperado.

Não é difícil calcular isso, tendo a posição do ranking… Onde está o problema? A posição no ranking não considera as lesões e as circunstâncias em tempo real. Imagine, por exemplo que um time de basquete jogou a temporada toda com o melhor atleta de seu time fazendo 50% dos pontos. Nas partidas finais, esse jogador rompe o ligamnto do joelho ou o tendão de Aquiles. Jogue o Algoritmo Elo no lixo, pois dali em diante, as variáveis do passado não explicarão o que vai acontecer em tempo real.

Ou seja, você pode confiar na previsibilidide em condições normais de temperatura e pressão. Como as CNTP’s não se mantém nos ambientes de disputas ponto a ponto, frente a frente, muitas vezes você pode ser surpreendido. Só no campo das lesões, vejamos o caso da partida de hoje, entre a Espanha e a Bélgica. Tudo bem, já havia um favorito, que proporia a partida, que pressionaria. Mas a perda do capitão do time logo nos primeiros minutos, escalando o veterano Bruyne, desmontou o meio belga, já inferiorizado. Mas a pior perda se fez presente na saída com uma lesão na perna do melhor goleiro do mundo, o Thibaut Courtois. Seu susbtituto bateu roupa numa bola fácil e o gol espanhol se deu. Amigos em viagem pela Espanha e que pouco acompanham o valor do goleiro e suas façanhas – sobre as quais eu escreveria um livro – como bons torcedores em passeio, falariam besteiras apontando falhas do monstro no gol. Devem ser perdoados pela ignorância.

O Brasil, como já escrevi perdeu no ano da Copa, simplesmente 7 atletas do time principal. Só sendo muito torcedor e olhando apenas para o ALGORITMO ELO pra acreditar em HEXA. O CR7 se contundiu pouco antes, não sabemos seu real estado de performance e o tempo de recuperação plena de um atleta de 41 anos. O ELO também não sabe. O time de Marrocos, com seu artilheiro brilhando contra o Brasil, o Saibari, que fez um gol como MBAPPE, desfalcou sua seleção. O time do Canadá teve seu jogador Kone retirado da partida por uma entrada violenta, quebrando sua perna. Ali a seleção canadense perdeu todo o entusiasmo pela competição. A genialidade de Messi quase ficou de fora da Copa, por dois motivos: lesão e falta violenta. Não há como um algoritmo feito no passado dos números absorver essas questões. Quem joga não é a camisa, é o jogador.

Poderia rechear de exemplos do passado e dessa Copa, para mostrar como a ausência de peças vai desmontar o algoritmo. Ele e consequentemente o ranking da FIFA são apenas INDICADORES DE PERFORMANCE. Em 2018, a Copa estava nas mãos da seleção brasileira. Ao ganhar do México em Samara, com Felipe Luiz em lugar de Marcelo contundido, uma aula defensiva foi dada. No entanto, Casimiro levou seu cartão amarelo e desfalcou a seleção para enfrentar a Bélgica. Num ato de conveniência, desses que se repetem no futebol, Tite escalou Marcelo “recuperado” da lesão, esquecendo que seu aliado estaria fora de campo, para proteger a avenida deixada pelo lado esquerdo. Foi fatal, o Brasil lutou mas deixou a vaga passar. O algoritmo ELO não faz essas coisas mais qualitativas. É uma equação simples, com limitações metodológicas significativas para previsibilidade em tempo real.

Lembro da perda do título que era pra ser da Argentina com Messi e Di Maria em campo, 2014 contra a Alemanha. A Argentina deitou e rolou com essa dupla endiabrada no Itaquerão. Para a final, mais uma lesão tirou aquele título, fácil de levar. Foram necessárias duas Copas para que essa distorção fosse corrigida. Portanto, todo cuidado é pouco com algoritmos. Viraram ditadores das verdades prontas, para aqueles que acreditam em provar a existência de Deus pela Matemática. Não é bem assim. O rei Pelé levou pancada até sair de campo de maca, contra Portugal, numa Copa marcada por arbitragens heterogêneas e mandantes extra-campo, como se guiar pelo ELO?

Melhor esfriar a cabeça num mergulho nas águas frias de uma piscina, ainda que no inverno!