Dá pra dizer que as oito partidas entre as 16 seleções seguiram três padrões de referência. As barbadas, as insosas e as dramáticas. As seleções de Marrocos e Bélgica pegaram a molezinha e fizeram placar elástico sem muita dificuldade. Voltar no tempo nos ajuda a entender que a equipe uma dessas equipes empatou com o Brasil na fase de grupos e perdeu seu melhor atacante, e a outra foi carrasco do nosso time e da Inglaterra na Copa de 2018 na Rússia. Embora os EUA e o Canadá tenham feito um bom trabalho de preparação, inovador no aspecto das dinâmicas, ficou claro que ainda falta a mesclagem para seus jogadores, com erros muito primários em momentos críticos.
Dá pra classificar como partidas insosas, decepcionantes até, os (não) combates, (não) promovidos pelo Brasil e Colômbia contra seus adversários. Partidas pífias, com atletas que até pareciam ter esquecido o que sabem fazer com a bola nos pés. Creio que foram penalizados por um excesso de cuidado, diante de uma Noruega e sua irmã Suíça, cujas vantagens aparecem em tabelas de idiotas que pensam em usar o IDH para explicar o rendimento no futebol. A gente tem que aturar isso, mesmo sabendo que nossos títulos vieram da lama social, do caos, de um população pobre e desdentada, quando comparada a todo um discurso de superioridade econômica e de cor da pele. Não dá pra contratar quem se propõe a domesticar uma onça para que ela faça melhor o que seu instinto exige. Essa escola destruiu recentemente a apática seleção brasileira feminina, e só se salvou com a remontada de um técnico local que conhece nosso DNA. Ficou difícil ver a passividade do Brasil, deixando a minutagem passar, tendo o suposto protagonista da seleção Vini Jr., passando a bola para o elenco de apoio bater o penalti. O povão não engoliu essa. Todas as seleções candidatas ao título colocaram seus artilheiros para bater, a decisão não fez o menor sentido.
Elegi a pior partida entre duas piores como a Colômbia e SuÍça. Não esperava muito dela, em 2018 vi na Suíça, cidade de Lausanne a torcida roendo as unhas para que Brasil e Suíça acabasse empatada. Nunca foram propositivos, nem mesmo em 2014, quando encararam a Argentina no Itaquerão. É um time meio “cerca Lourenço”, que no dia 1o de julho de 2014 arrastou los hermanos para a prorrogação até ser vencida por um gol genial do Di Maria, passe do bom e cada vez melhor Messi. O confronto se repetirá, a vantagem está dada.
Para quem não acredita no valor da genialidade, vou repetir o que tenho escrito faz décadas: só é preciso uma fração de segundos que ela resolve. O time argentino entendeu isso, abraçou a causa e segue nessa balada. Teve o caminho facilitado, com o Egito de um trio valioso, Hassan, Salah e Zico, que por duas vezes balançaram numa trama coletiva o gol adversário, numa dessas vezes anulado. Ruim pro futebol, desnecessário, o juiz estava próximo e não deu a falta, tal qual no gol do Vini Jr. que saiu com um gol a menos. Muito dessa Copa se deve aos erros clamorosos de arbitragem. Não me refiro aqueles interditados por um candidato a deus, mas a uma série de desníveis culturais entre os padrões de arbitragem mundo afora. Não tem sido diferente até mesmo na NBA, que esse ano bateu recordes de barbeiragens. Um jogo emocionante mas com uma equipe claramente superior, Messi e Los Hermanos Cia.
A meu ver, os jogos mais dramáticos ficaram para a França e Inglaterra, e isso por motivos diversos. Coube aos franceses pegar o mais fraco, entricheirado, disposto a dar tudo em troca das penalidades – que para mim são o erro de origem levando a esse tipo de partida ruim de ver – com um goleiro de alta capacidade. Pegou tudo, menos o penalti. Sobre isso? Ah, sim, quem bateu foi um protagonista. E assim lá foram, na conta do chá, para as quartas de final.
Já a Inglaterra, essa sim, enfrentou a maior dificuldade de todas as demais bem sucedidas, o México, na altitude de mais de 2.000 metros, num estádio onde dois tabus teriam que ser quebrados: a seleção mexicana nunca havia sido vencida ali e até então estava zerada de defesa. A torcida local e tudo isso junto tem um peso real, e teve. A Inglaterra venceu, meteu três gols, teve um jogador expulso por uma entrada criminosa que só ele não viu e seu protagonista bateu a penalidade. O maior segredo nessa partida dos britânicos foi não levar gols após ter feito o placar definitivo. Embora a estratégia do técnico mexicano tenha sido colocar três gigantes dentro da área para alçar bolas e fazer de cabeça, isso não deu certo. A razão simples foi a dobra de marcação nas laterais do campo, com nível de excelência preventiva. Uma aula quando o assunto é conhecer seus pontos fracos. Quem não tem os melhores laterais do mundo vai sofrer, como foi o caso do Brasil que não dispõe de excelência nessa posição, diferentemente do Marrocos, Portugal, Inglaterra. Sobre laterais, ao perder o melhor lateral do mundo, Portugal perdeu a partida e graças a isso, não teremos mais CR7 pelos próximos dias.
Gosto de assistir partidas com atletas geniais, seja lá com que idade estejam.
A gente sempre aprende alguma coisa, e pode ser até quem sabe, que ele ainda nos surpreenda.


