COMO É FÁCIL HACKEAR GRANDES SISTEMAS


Estava eu assistindo a partida onde mais um recorde foi batido, entre a suposta talentosa seleção da Turquia contra o limitado Paraguai com dez em campo, quando subitamente meu celular disparou um alerta num som altíssimo. Havia acabado de instalar um conjunto de aplicativos para previsão de resultados de partidas, com o intuito de escrever a respeito da luta entre Casas de Apostas Online e Apostadores. Olhei para a tela e desconfiei: seria alguma invasão desses novos residentes no meu aparelho tão seguro, um iPhone cuja fama de inexpugnável cobra um preço estratosférico? Nada disso. Escrevi sobre a estranha mensagem, que mencionava ter origem na Defesa Civil, atrelado a expressão ALERTA EXTREMO, adicionado ao final misantropi4. Numa lógica louca, associei o fato as partidas nos EUA, e aos avisos envolvendo mal tempo nos estádios e interrupção de partidas, o que já aconteceu no passado. Graças a um amigo, o assunto foi esclarecido, sem abrir veículos de comunicação, houve um hackeamento.

A seguir fui verificar as proporções. Envolveu todo território nacional, não se tratando portanto de uma questão específica da Defesa Civil do Rio de Janeiro, essa que chegou até a ter a sua Secretaria extinta. Foi a inexistência de alarmes que levou milhares de pessoas a morte na maior tragédia natural da história do Brasil, na Região Serrana. A natureza é insondável. A mensagem de uma só palavra, “MISANTROPIA”, foi propositalmente mal escrita com um número “4” em lugar do “A” ou aquela pressa para não ser rastreado do hacker provocou o erro. É certo que saberemos.

Trata-se de um episódio digno de nota, nos Anais da História da Comunicação de Massa. Guardadas as devidas proporções inerentes à sua época, atrevo-me a dizer que a ação hacker mais notória aconteceu fora da Era Digital. Orson Welles arquitetou um plano diabólico para anunciar o Fim do Mundo, utilizando para isso uma série estruturada no tempo e no espaço de boletins jornalísticos com esse mesmo tipo de característica urgente, ativando nos que ouviram nas rádios dos EUA o sentimento imediato de pânico. Inspirado em um livro de H. G. Wells, “Guerra dos Mundos”, subsequentemente adaptado para o cinema por Spielberg, o gênio usou a falsidade para fazr soarem as “FALSAS TROMBETAS”. Tal qual um bando de vendilhões da Terra Prometida, do Paraíso, das Virgens no outro mundo, gerou medo e viu o circo pegar fogo. Tomou precauções para logo no início da transmissão dizer que era uma peça de ficção, ou seja, conteúdo “FAKE”. O problema é que a audiência que não pegou desde o início não teria como distinguir a noticia como verdadeira ou falsa.

É claro que um gênio que faz Cidadão Kane lá atrás, há de fazer e inspirar muito mais.

Posso dizer sem medo que Orson Welles foi o precursor da Era da Comunicação de Massa FAKE.
Teria grande interesse em fazer nesse momento duas coisas: entrevistar com um roteiro pesado o mentor intelectual dessa façanha, aqui no Brasil em pleno 2026, bem longe do episódio de 1938 lá nos Estados Unidos e desenvolver com um grupo de estudantes universitários de Comunicação Social e Jornalismo, uma pesquisa abrangente sobre percepção desse evento, a meu ver histórico. Comparar os dois mundos e olhar para o sistema midiático pode esclarecer pontas soltas.

Da série CARTELAS DO CARTILHA.
APRENDA A JOGAR BEM