104 JOGOS DA COPA DO MUNDO, SÓ NA CAZÉTV?

Uma Copa com 48 países ganha em ineditismo e avança num ambicioso projeto geopolítico. O que Xerxes ou Alexandre não conseguiram, a FIFA alcançou. E que mais. Além da hegemonia, o totalitarismo associativo. Fazendo uma retrospectiva, teremos que passar pelo Havelange, chegando ao Blatter, culminando com Infantino. Devo dizer, todos com fichas muito suspeitas…
A base para o desenvolvimento desse mercado vai se modificando gradualmente. Quem não entende patavinas desse lugar, passa batido. Mas as oportunidades são infinitas.

Todas as partidas dessa edição serão transmitidas no Brasil pela Cazé TV. Há quem diga que a transmissão é “bacana”. Seguramente, ela se transformou como uma alternativa para quem se recusa a ligar sua televisão na Globo. Esse tipo de gente me faz lembrar da turma do Leonel Brizola, e sua eterna luta para tornar as redes de radio-difusão um instrumento nas mãos do Estado. Depois do Caudilho, vieram outros, acusando a platinada de manipulações. O poder da mídia ficou mais acentuado do que nunca, após as redes sociais, com escândalos atrás de escândalos. O caso da Cambridge Analytics foi o mais divulgado, envolvendo 87 milhões de perfis, de amigos dos amigos. A Cazé TV alcançou sua meta de 30 milhões de inscritos no canal do Youtube. Não tenha dúvida, tem valor de mercado de interesse as BIGTECH’s.

De um lado os veículos de BROADCAST, do outro as PLATAFORMAS DE STREAMING. Esses dois mundos se misturam, mídias híbridas, contratos adicionais. A Cazé pode ser assistida dentro da Amazon Prime Video, como uma alternativa ao GloboPlay e a TV Digital Aberta. O tempo de resposta da transmissão por antenas é superior ao dos streamings. Para quem aposta, é uma desvantagem. O delay time é um diferencial em uma série de negócios, quem não é do ramo nem faz ideia. Uma grande parte dos atuais torcedores assistem para jogar nas bet’s.
Mas não é só essa a diferença.

Do ponto de vista do modelo de negócios, um deles aplica Pareto, o outro é adepto da Cauda Longa. Para uma rede do nível da Globo, com uma série de outros produtos de alta rentabilidade, jornalismo, teledramaturgia, cinema, reality show, o esporte é uma perna da aranha econômica. Uma das piores mudanças nas transmissões esportivas da Globo foi colocar seus funcionários nos estúdios. Ninguém mais vai para os estádios, exceção um ou dois repórteres. Abriu aqui a porta do inferno para a função. As fotos são capturadas no Instagram dos atletas e o jornalista vira assessor de imprensa.
Hipoteticamente, se a emissora tomasse a decisão de liberar o sinal para qualquer um, seria até melhor. Daqui de casa, por exemplo, eu poderia convidar uns amigos, boleiros, jornalistas, e transmistir ao vivo pela internet. Quem sabe uma concorrência no mercado perfeito.

A Cazé faz na plataforma do Youtube em 2026 o que Marcelo Barros fez numa rádio evangélica em 2014: a narração de todas as partidas da Copa do Mundo da FIFA no Brasil. As restrições na época eram outras, a relação simbiótica entre a Globo e a FIFA deu a platinada direito de negociar com quem quisesse os direitos de cobertura no Brasil. Dali em diante cheguei a conclusão que a única maneira de negociar diretamente com a FIFA seria criar uma empresa fora do país. Isso também mudou…

A ideia do modelo de negócios da Cauda Longa é oferecer todo e qualquer produto existente, seja qual for o nível de vendas – nesse caso audiência – porque na soma haverá ganho. A internet permite fazer isso, custos mais baixos. O que você perde? Será impossível ter equipes para 100% das coberturas, presencialmente. O modelo não é sustentável. Isso significa na prática que você se torna apenas uma antena de retransmissão, do sinal gerado de um ponto central para todos que compram isso no mundo inteiro.
Crie uma estrutura de Estúdio, contrate uma galera com gás para trabalhar com salários mais baixos e a mágica está feita. Esses trabalhadores, se multiplicam, criam seus canais, suas páginas em redes sociais, pulverizando a disseminação a partir do que eu chamo de “imagem sem presença”.

Nesse contexto, é preferível ir pessoalmente aos equipamentos esportivos, pagando ingresso. Sem isso, o jornalismo perde um pouco do seu sabor. Pelo mundo inteiro, centenas de IPTV’s transmitem em uma pluralidade de idiomas a Copa. É um mundo mais underground…

Da série: CARTELAS DO CARTILHA
APRENDA A JOGAR BEM