Muitos amigos sempre me perguntam quanto a qual será o placar de uma partida, quem fará os gols, quem vai ser expulso, entre outras amenidades. Nessa época de Copa do Mundo, 90% deles só quer saber quem será o campeão ou se os velhinhos vão jogar ou não. Se à véspera do Mundial todos só se perguntavam se o técnico iria convocar Neymar – o que pra mim era uma obviedade, iria de ambulância ou camburão – para o elenco do espetáculo, agora a pauta é “quando” o jogador mais caro da história do futebol entrará para jogar. Soubemos hoje que o craque nem irá acompanhar o time até a Filadélfia, como eu, verá pela TV o Brasil encarar o Haiti. Uma acertada decisão, estratégica, baseada em Ciência do Esporte, mais especificamente no campo da fisiologia. Comparando pretensões, enquanto para o Haiti a partida é de vida ou morte, imaginem voltar pra casa e poder dizer que enfrentaram o único time penta, para o Brasil trata-se de economizar energia da bateria, menor esforço e menor desgaste. Isso inclui lesões e cartões amarelos.
A literatura recente apresenta um economista como tendo acertado os resultados dos vencedores das três últimas Copas do Mundo. Ter acertado deu a ele notoriedade. Assisti uma entrevista para um canal de TV e confesso, não me entusiasmou. O último livro que tive acesso envolvendo esse tipo de previsão foi relativo as eleições americanas. O escritor também não havia errado as últimas, mas errou grosseiramente a última.
Já numa pesquisa em torno das renomadas publicações da Revista The Economist, houve um ano com Maradona numa foto em preto e branco segurava a Taça e na capa dessa Copa colocaram um planeta como se fosse um tabuleiro de xadrez e as peças de várias cores, atribuindo ao aspecto multicultural as maiores chances de quem quer que seja, caminho que o Brasil trilhou antes de todos, pela mistura que é. Uma pergunta me pareceu inteligente, ao trocar a palavra na pergunta: em lugar de “quem”, “como ganhar a Copa”, seguindo pelo caminho de uma metodologia capaz de levar até a vitória final e levantar o caneco.
Me parece que vocês já devem ter percebido que é disso que tratamos aqui, aprender a jogar bem é o que nos leva a ganhar, como consequência de uma postura diante de uma competição qualquer.
Será campeão o time mais preparado para encarar a maratona de jogos, que erre menos e que preserve seus craques para os momentos decisivos.
Da série: CARTELAS DO CARTILHA
APRENDA A JOGAR BEM


